O que mudou na indústria
Em 16 de setembro de 1987, foi adotado em Montreal um dos acordos ambientais mais bem-sucedidos da história: o Protocolo de Montreal sobre as Substâncias que Empobrecem a Camada de Ozono. Este tratado internacional estabeleceu uma resposta coordenada entre governos, indústria e comunidade científica para eliminar progressivamente a produção e o consumo de substâncias químicas responsáveis pela destruição da camada de ozono estratosférico — a fina faixa de gás entre 15 e 35 quilómetros de altitude que protege a Terra da radiação ultravioleta nociva.
Hoje, o Protocolo de Montreal conta com a participação universal dos 198 Estados-Membros das Nações Unidas. Quase 99% das substâncias que destroem a camada de ozono — incluindo clorofluorocarbonos (CFC), hidroclorofluorocarbonos (HCFC), halons, tetracloreto de carbono e brometo de metilo — foram gradualmente eliminadas, e a camada protetora sobre a Terra está em processo de recuperação.
A implementação do Protocolo foi coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA/UNEP), que se tornou uma agência implementadora do Mecanismo Financeiro Multilateral do tratado em 1991. Em Portugal, a Agência Portuguesa do Ambiente é a autoridade competente para a aplicação da legislação relativa à proteção da camada de ozono.
O que o Protocolo de Montreal nos ensina sobre indústria
Passadas quase quatro décadas, o legado do Protocolo de Montreal vai além da recuperação da camada de ozono. Oferece três lições estruturais para qualquer indústria que enfrente desafios ambientais e regulatórios:
Regulação → Inovação
Quando determinadas tecnologias deixam de ser aceitáveis por razões ambientais, a indústria é forçada a encontrar alternativas. Esta pressão regulatória, longe de ser apenas um custo, pode funcionar como um motor de inovação. Como sucedeu com as espumas, a eliminação dos CFC/HCFC acelerou o desenvolvimento de agentes expansores mais eficientes e com menor impacto climático.
Conhecimento → Decisão
O Protocolo ilustra como a ciência identifica o problema (destruição da camada de ozono), a regulamentação cria o enquadramento (metas de eliminação progressiva) e a indústria transforma esse enquadramento em soluções concretas. As empresas que conseguem antecipar mudanças regulatórias e ambientais estão mais preparadas para os mercados futuros. O Protocolo de Montreal estabeleceu prazos claros e previsíveis, permitindo que a indústria planeasse investimentos e transições tecnológicas com antecedência. Esta clareza regulatória reduziu incerteza e criou condições para inovação sustentada.
O que tem a indústria dos plásticos a ver com a proteção da camada de ozono?
A indústria dos plásticos enfrenta hoje um conjunto de desafios que, embora diferentes da questão da camada de ozono, partilham a mesma lógica: que responsabilidade tem uma indústria que transforma materiais em milhões de produtos de utilização diária?
A resposta não está em simplificações como "o plástico destrói o ambiente". Está em perguntas mais estruturadas:
Materiais
- Escolha de materiais
- Reciclabilidade
- Origem das matérias-primas
Produção
- Eficiência energética
- Optimização dos processos
- Redução de desperdício
Produto
- Durabilidade
- Reutilização
- Design para utilização prolongada
Ciclo de vida
- Reciclabilidade
- Responsabilidade no fim de vida
Estas questões não são apenas ambientais. São também económicas e competitivas. Mercados e consumidores estão cada vez mais atentos a estes fatores, e a capacidade de responder de forma estruturada torna-se um diferencial estratégico.
Na Kozziplast, esta visão traduz-se em decisões concretas sobre a forma como desenvolvemos e produzimos os nossos produtos.
Produção em Portugal: toda a produção é realizada em território nacional, permitindo manter um controlo direto sobre os processos produtivos e sobre a qualidade.
48 anos de experiência na indústria dos plásticos: desde 1978, desenvolvemos e produzimos utilidades domésticas através de processos de transformação de plásticos por injeção.
Transição para máquinas elétricas: 85% das máquinas hidráulicas foram substituídas por máquinas elétricas, contribuindo para uma produção mais eficiente, autónoma e rigorosa.
Energia renovável: a produção combina energia solar própria com energia proveniente de fontes renováveis, com cerca de 50% de autonomia energética através da produção fotovoltaica.
Gestão da água: utilizamos um circuito fechado de água e reutilizamos água da chuva para atividades não essenciais, reduzindo o consumo de recursos hídricos.
Certificação ISO 9001: o nosso processo de gestão da qualidade é certificado segundo a norma ISO 9001, assegurando processos controlados e consistentes.
UN Global Compact: desde 2024, a Kozziplast participa no Pacto Global das Nações Unidas, alinhando a sua estratégia com os Dez Princípios e com 6 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos como prioridades até 2030.
Para a Kozziplast, a sustentabilidade também começa na conceção do produto: criar produtos com uma vida longa, em vez de produtos pensados para serem rapidamente substituídos.
Esta abordagem valoriza a durabilidade e o design funcional, contribuindo para reduzir substituições desnecessárias e prolongar a utilização dos recursos incorporados em cada produto.
Fontes
UNEP OzonAction:https://www.unep.org/ozonaction/who-we-areunep
APA — Protocolo de Montreal (ODS):https://apambiente.pt/ar-e-ruido/protocolo-de-montreal-odsapambiente
Tratado do Protocolo de Montreal (UN Treaty Collection):https://treaties.un.org/pages/viewdetails.aspx?src=treaty&mtdsg_no=xxvii-2-a&chapter=27&clang=entreaties.un
Ozone Secretariat — Montreal Protocol:https://ozone.unep.org/treaties/montreal-protocolozone.unep+1
